domingo, 31 de janeiro de 2016

CARTA AO PRESIDENTE

A morte não é senão o prelúdio,
necessário e verdadeiro, para a vida.
__Bardo Thödol




Presidente, poderia citar aqui uma constelação de filósofos, sábios, profetas, santos e místicos do ocidente ou do oriente ensinando que na Arte de Morrer está a Arte de Viver, ou, em outros termos, apenas aquele que aprendeu a morrer verdadeiramente poderá viver.

Nessa instituição e em seus trabalhos, recebi a chave para uma nova vida logo na terceira reunião: por volta de meus 21 anos, morri para um caminho seco, monótono e estático do ateísmo em que me encontrava; e ressuscitei para um mundo de infinitas possibilidades e cores, poético, místico…

Quando fui convidado, sem saber, deram-me uma chave, e tive o meu segundo nascimento. Demandam-me a chave, entrego-a com a alegria e o júbilo dos que aprenderam a morrer. Pois, difícil mesmo, é nascer uma segunda vez, e isso eu experimentei com a bebida indígena... e isso eu também recentemente experimentei uma terceira vez sem a bebida, em casa...

Afinal, o que é a morte senão a possibilidade de renascer para uma vida mais profunda e verdadeira? 

Agradeço a todos, associados e membros dessa instituição. Aprendi muito com esses meus irmãos, todos foram como um espelho! O trabalho deles para o funcionamento e manutenção da casa possibilitou o meu segundo nascimento, o mais difícil... O sentimento em relação a cada um é de Gratidão Profunda!

Presidente, portanto, venho informar sobre a minha desfiliação.

Presidente, por fim, deixo consignado o meu respeito e admiração por sua pessoa! Volta e meia encontro alguém que te conhece e escuto em coro unânime uma canção sobre a sua imensidão! Faço votos para que o generoso trabalho prossiga e continue despertando as pessoas!

Parece-me que toda a minha relação com o Daime foi um ensinamento profundo sobre a Arte de Morrer. Ora, e os próprios índios não chamam a bebida de “Cipó dos Espíritos” ou “Vinha dos Mortos”? 

Forte abraço, Presidente!

Paz Profunda.

18 de janeiro de 2016.




Jacques-Louis David, A Morte de Sócrates, 1787.




"Novos começos chegam.
Muitas vezes, disfarçados de finais dolorosos."
__Lao Tzu


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